Vane sentou-se no canto do sofá. Os ossos do frango estavam fervendo no fogão da cozinha com alguns legumes, mas se seria uma canja digna, ninguém sabia.
Quando desceu, Zac já havia, limpado a lareira. Mas não queria se sentir agradecida. Precisava manter vivo seu ressentimento. Precisava odiar tudo que ele fazia.
A noite passada, dormira grudada nele. Mas como e por que isso acontecera estava além de sua comprensão. Deve ter sido a reação de seu subconsciente àquele beijo perturbador.
Mais um dia em que deveria ser forte e não se lembrar da textura da pele dele no rosto ou em sua boca. Ou de como seu braço tinha circundado a cintura dele. Do jeito que o corpo dela parecia encaixar no dele, como se tivesse sido feito com essa intenção.
Além disso, tinha de ficar cega para o físico de Zac. Não podia ignorar como ele era sensacional sem roupas, e como a graça de sua nudez a deixava de boca seca e de corpo quente. E, ao mesmo tempo, assustada. Não podia tocar nele. Não podia arriscar mais uma vez.
Ela suspirou e o escutou descendo as escadas. Zac estava fechando o casaco e mal olhou para ela. Por um momento aterrorizante ela achou que ele estivesse partindo, abandonando-a. Mas depois percebeu que ele não estava carregando a mala.
- Você... vai sair?
- Vou até a cidade ver o que posso comprar para comer - ele disse. - Não podemos sobreviver com alguns ossos de galinha.
- E é seguro, com toda essa neve?
- Sim - ele disse. - Ou eu não tentaria. Vanessa levantou-se.
- Então... vou com você.
- Desenvolveu um gosto repentino por minha companhia? Ou está esperando encontrar seu admirador?
- Por favor, não seja absurdo - ela disse. - Simplesmente estou me sentindo sufocada presa aqui.
Ele observou o rosto dela corar.
- Tem um par de botas de borracha no sótão. Tal vez sejam muito grandes, mas podem ajudar.
Ela sacudiu os ombros.
- As minhas estão bem.
Mas não estavam. Sua bota escorregava muito ela foi forçada a agarrar os braços de Zac para não cair.
- Isso não é uma boa idéia. Vou leva-lá de volta, cara, antes que você quebre alguma coisa.
Ela aceitou com relutância a ajuda dele para voltar para o chalé, e quando ele desapareceu de sua vista sentiu-se estranhamente abandonada. Parecia que ele tinha ido para sempre...
- E o que eu faria? - ela perguntou em voz alta.
Começou a vagar quase que compulsivamente de um aposento para outro, inventando tarefas como arrastar o tapete que havia na frente do fogo para a porta e sacudi-lo.
A mistura de frango estava com um cheiro apetitoso. Quando estava espetando-a com um garfo, escutou um barulho na porta e correu para a sala. Zac estava colocando duas sacolas sobre a mesa.
Ele contou com os dedos:
- Não tinha alho, não tinha ervas frescas, nenhum azeite de qualidade e nenhum macarrão, a não ser alguma coisa em uma lata. Não fosse o tempo, já teríamos saído para comer fora.
Como ele podia falar assim? Como se fossem um casal normal aproveitando um tempo de folga juntos?
- Se não fosse o mau tempo, eu já teria ido embora há muito tempo, signore.
A voz dele era suave.
- Se lhe conforta pensar assim, signora. - Ele começou a tirar os mantimentos da sacola. - A signora me disse que a luz vai voltar até o fim do dia. - Ele caminhou até a porta. - Vou cavar um caminho até o depósito de lenha caso você precise.
Ela tentou dizer "Obrigada", mas as palavras não saíram. Apenas balançou a cabeça e foi para a cozinha.
Sozinha novamente, começou a guardar a comida, ciente de que as mãos estavam tremendo e dos olhos embaçados.
Não foi o dia mais fácil que Vane passou. Zac ocupou-se do lado de fora e ela seguiu seu exemplo do lado de dentro. Porque era o melhor jeito de parar de pensar.
Acrescentou batatas e alho-poró ao caldo de frango, produzindo uma sopa grossa e saborosa.
- Estava excelente - disse Zac quando terminou a segunda tigela. - Trabalhar ao ar livre dá muita fome.
- Você já terminou de cavar?
- Ainda não. Decidi limpar o caminho até a estrada também.
- Você vai ficar exausto. - Ela falou sem pensar e sentiu a cor espalhar-se em seu rosto quando ele deu risada e se levantou.
- Sei que é isso que você espera, caríssima, mas você vai se desapontar.
O coração de Vane começou a bater desconfortavelmente quando ele desapareceu do lado de fora outra vez, mandando um sinal claro de que naquela noite não ficaria satisfeito com apenas um beijo.
Esforçando-se para se distrair, ela passou horas jogando paciência. Depois foi para a cozinha e começou a preparar o jantar.
Quando Zac entrou, notou que a lareira e as veias já estavam acesas. Ele estava sentado no sofá, tirando as botas, quando Vane saiu da cozinha. As sobrancelhas dele levantaram quando percebeu que ela estava trazendo café fresco.
- Você é a esposa perfeita, caríssima - ele disse suavemente, e ela virou-se, mordendo o lábio. Exceto em um fator, ela pensou, mas sem dúvida alguma ele considerava isso apenas questão de tempo.
Enquanto a comida deles cozinhava, ela sentou-se no sofá à frente dele e fingiu que estava lendo à luz de velas, enquanto ele estava absorvido em algum outro problema de xadrez. Não conseguiu se concentrar no livro e, às vezes, lançava-lhe rápidos olhares.
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